Conheça a nova linha de crédito imobiliário da Caixa

Atualizado em 4 de mar de 2021

Na última quinta-feira (25/02), a Caixa Econômica Federal anunciou uma nova opção de crédito para a população que tem o sonho da casa própria.

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Basicamente, a novidade é uma nova modalidade de crédito imobiliário que está atrelada à poupança do banco.

Segundo informações concedidas pelo próprio banco, a nova linha de crédito da Caixa Econômica Federal visa oferecer financiamento de imóveis com taxas diferentes das normalmente praticadas no mercado, com foco em quem já é cliente do banco.

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Essa linha de crédito imobiliário – segundo a Caixa – terá uma taxa que varia entre 3,35% e 3,99%. 

Além disso, é de suma importância se atentar que existe a variação da própria poupança. E o que isso significa?  Com esse fator, mesmo que a taxa em si seja bem atrativa, especialistas ainda indicam que se tome cuidado quanto aos riscos.

Se você quer entender mais sobre as vantagens e desvantagens da nova linha de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, para assim decidir se vale ou não a pena contratar a opção, siga com a sua leitura!

Abaixo, você confere as principais informações relativas à modalidade de crédito.

Quais são os riscos da nova modalidade de crédito imobiliário da Caixa?

Para entender os riscos, é necessário compreender a fundo o que essa nova linha de crédito propõe ao cliente. Em síntese, ela abre margem para outras 4 opções diferentes de financiamento: as que já existiam, e aquelas com novas possibilidades.

A começar pela tradicional linha de crédito do banco, corrigida pela Taxa Referencial (TR) e que funciona de modo a seguir taxas variantes, que vão de 6,25% a 8% ao ano.

Em seguida, temos a modalidade que anda em conjunto com a inflação, medida através do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que possui uma variação percentual que começa em 2,95 e chega em até 4,95 ao ano.

Por fim, ainda temos os empréstimos com juros fixos, esses que geralmente operam com taxas que partem dos 8% e podem chegar em até 9,75% de correção anual.

No caso da poupança, é de conhecimento geral que ela possui taxas mais baixas e com um rendimento atrelado à taxa SELIC, que por regra, possui uma variação de 8,5% ao ano, onde o rendimento da poupança fica em 70% da taxa básica de juros

Mas o que tudo isso quer dizer? Vamos aos fatos!

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Bom, para saber o rendimento da poupança, temos que pegar a porcentagem atual da taxa SELIC e calcular 70% da mesma. Atualmente, a Selic está em apenas 2%, o menor índice da história do COPOM, o que dá um rendimento à poupança de apenas 1,4% ao ano.

Basicamente, todos esses índices e porcentagens servem para explicar a taxa de correção do financiamento, que varia entre 4,7%% e 5,39% ao ano. Nisso, temos taxas variáveis que estão umas atreladas as outras para chegar em um resultado final. 

Mesmo que essas taxas possam ser consideradas atrativas para quem quer um financiamento imobiliário no momento, os especialistas recomendam alto nível de cautela.

Segundo Andrew Frank Storfer, membro do conselho da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, é preciso ter o alerta ligado para os financiamentos com taxas variáveis a longo prazo, já que eles não dão a certeza de quanto o cliente continuará pagando dentro de alguns anos.

Porém, aqueles modelos que possuem taxas fixas, são considerados mais seguros, já que você sabe o quanto deverá pagar até o final do mesmo.

A taxa Selic pode aumentar para 4%

Como já mencionado neste texto, atualmente a taxa Selic está em 2% ao ano, tendo sido definida em 5 de agosto de 2020 pelo Copom, que baixou a taxa de 2,25% para 2%, o menor índice da história.

Porém, existe a expectativa de que ela aumente de 2% para 4% este ano. E como é a taxa que decide qual será a variação da poupança, é possível que o rendimento da mesma dobre neste ano, de 1,4% para 2,8% a.a, elevando o financiamento entre 6,15% para 6,79% ao ano.

Logicamente, esta variação assusta um pouco, mas mesmo com ela a nova linha de crédito imobiliário vinculada à poupança da Caixa segue com taxas mais baixas que as do IPCA, e isso se dá pela atual situação da inflação no país.

Mas vale lembrar que esse cenário pode mudar, já que a previsão a longo prazo é que a taxa de juros seja maior que a inflação.

E de acordo com o especialista Gilson Oliveira, um dos professores do IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), o recomendado é que, ao fazer um empréstimo, o cliente tenha plena certeza de que receberá as correções na renda mensal, para que desse modo, possa acompanhar as variações do seu empréstimo.

Nova linha de crédito imobiliário da Caixa vale a pena? 

Bom, mesmo apesar de todos os fatores que merecem sim atenção por parte do cliente, a nova linha de crédito imobiliário da Caixa pode trazer um respiro a quem busca um financiamento para comprar a casa própria.

As taxas seguem atrativas, e quem já está em algum financiamento, pode mudar para esse caso ache vantajoso.

A dica final é que o cliente sempre saiba bem aquilo que está contratando, inclusive, que entenda a variação das taxas que esse tipo de financiamento possui. Diferentemente de outros modelos, aos quais é sabido qual o CET (Custo Efetivo Total), essas modalidades podem variar nos valores e o custo final pode ser bem maior do que inicialmente planejado.

Ou seja, faça uma pesquisa ampla e compare as principais opções disponíveis no mercado. Coloque tudo na ponta do lápis, analise o seu orçamento mensal e tenha plena convicção de que isso é o melhor para o seu bolso.

Dessa forma, você garante que está fazendo um bom negócio e evita o acúmulo de dívidas desnecessárias.

Pablo Januario