Tudo o que você precisa saber sobre a nota de R$ 200

Atualizado em 4 de ago de 2020
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Muitas pessoas foram pegas de surpresa quanto, no último dia 29 de julho, o BC (Banco Central) anunciou a criação de uma nova cédula do Real: a nota de R$ 200.

Aprovada pelo Conselho Monetário Nacional, a nova nota deve entrar em circulação no território nacional no final do mês de agosto.

Pouco tempo após o anúncio do BC, o assunto ganhou as redes sociais e logo virou o principal tema a ser comentado no momento. Muitos dos usuários questionavam o porquê da criação de uma nova cédula, outros expressavam o temor sobre uma possível alta inflacionária decorrente da nota e o mais comum: os famosos memes.

Houve quem fez piadas com o mascote da nota — o Lobo-Guará, no caso — e quem simulou outras figuras, animais e personalidades para estampar a nova cédula.

E em meio a todas as piadas, memes e críticas acerca dessa novidade, o fato é que a grande maioria das pessoas está um pouco confusa com tudo isso.

Enfim, como muita gente ainda não entendeu direito o motivo da criação da nota de R$ 200, o porquê disso estar acontecendo agora e quais serão os efeitos na economia brasileira, nós resolvemos reunir abaixo as principais informações a respeito da nova nota do Real.

Se você quer saber mais sobre o tema, continue lendo e venha conferir!

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Qual o motivo da criação da nota de R$ 200?

Segundo o anúncio do Banco Central, o principal motivo por trás da criação da nova nota foi, justamente, um fenômeno chamado entesouramento.

Se você não sabe o que significa, basicamente é quando acontece um aumento no número de pessoas guardando dinheiro físico em casa, ou seja, limitando a circulação dessas cédulas.

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Com o advento da pandemia causada pelo novo coronavírus, o entesouramento ficou mais comum e isso impacta diretamente na economia.

Por conta do cenário instável do momento, com medo de gastar o dinheiro ou mesmo de deixá-lo em instituições financeiras que possam vir a falir, muitas pessoas voltaram ao tempo onde se guardavam o dinheiro “debaixo do colchão”.

E não se engane, o número de pessoas que usam dinheiro físico para comprar bens e serviços ainda é bem grande. Segundo pesquisa do próprio BC do ano de 2018, 60% dos brasileiros ainda compravam bens e pagavam contas com dinheiro em espécie.

Enfim, o resumo é que quanto mais pessoas guardando dinheiro em casa, maior a demanda pela produção de papel-moeda.

O Brasil não é o único

Devido à pandemia, o fenômeno do entesouramento não tem atingido apenas o Brasil. Uma série de países estão com demanda por dinheiro vivo e aumentando a sua produção de papel-moeda, com pouquíssimas exceções, como os países nórdicos, por exemplo.

Por que criar uma nova nota?

No atual cenário, onde o dinheiro não está voltando para a circulação regular da economia, já que as pessoas estão ficando mais em casa, e parte do comércio ainda fechado, nasceu a demanda pela criação de uma nova nota.

Segundo a diretora de administração do BC, no lançamento da nota, ela mencionou que já existia a intenção de criar a nota de R$ 200, e que ela foi apenas antecipada por conta do atual cenário da economia brasileira.

Ou seja, o lançamento da nota é um movimento de prevenção no caso de uma possível longa duração do fenômeno do entesouramento.

A nota vai impactar na inflação?

Com a notícia da criação da nova cédula do real, a internet explodiu com comentários que mencionavam o perigo de isso ocasionar uma alta inflacionária, assim como já aconteceu em períodos passados na história brasileira.

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Mas será que realmente a criação da nota de R$ 200 tem poder para ocasionar esse efeito colateral?

Na verdade, não. A emissão não causará esse efeito, já que o que está ocorrendo é diferença de expansão fiscal.

Por exemplo, muitas pessoas mencionaram o período de hiperinflação da economia brasileira, relacionando a criação da cédula a uma possível volta desse tempo. Bom, na hiperinflação, tínhamos a Casa da Moeda imprimindo novas cédulas o tempo todo, já que o dinheiro perdia o seu valor constantemente.

Com as notas perdendo o seu valor de um dia para o outro, a impressão era necessária e esse era o ciclo da hiperinflação. Como hoje grande parte de toda a riqueza da economia brasileira está, de fato, em M3, a criação de uma nova cédula do Real que venha a valer mais não causará efeitos inflacionários agravantes.

Segundo o anúncio do BC, não é possível estabelecer qualquer relação entre a entrada da nova cédula na economia brasileira, com o sistema de metas para controle da inflação. Atualmente, a inflação brasileira está baixa e estável, e isso não deve mudar bruscamente nos próximos meses.

Conclusão

Bom, a nota que foi anunciada na última semana deverá entrar em circulação em pouquíssimo tempo, já no final do mês de agosto.

Diferentemente da suposição de muitos, que apontam o motivo da criação como uma forma de injeção de dinheiro na economia para conter uma possível crise econômica, a nova cédula de R$ 200 chega para resolver um problema que muitos nem sabiam que existia.

O entesouramento é uma realidade em muitos países, e passou a ser muito mais comum e tempos de pandemia, onde existe uma instabilidade muito grande em relação à economia, mercado de trabalho e afins.

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E como você pode ver ao longo do texto, com um maior acúmulo de dinheiro em papel-moeda na mão das pessoas e este não voltando para a livre circulação, há impactos reais na economia do país.

E o que se faz quando o dinheiro em circulação está em falta? Bom, é necessário que se produza mais papel-moeda para suprir essa ausência, e neste caso, a solução mais plausível criada pela equipe do Banco Central, foi justamente a criação de uma nova cédula.

Enfim, logo mais teremos uma nova nota no Real, que por sinal, será a de maior valor monetário.

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Pablo Januario